quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O teatro dos vampiros

Todos os dias quando ligo a TV e vejo novamente notícias que estão já "enchendo o saco" de todo mundo, como o sismo do Haiti, percebo que não é uma sensibilidade por parte das emissoras ou menos preocupação em relação ao estado de calamidade daquele país. Não estou sendo insensível com o fato mas realista quanto a impressão sensacionalista que essa mídia me passa.

Qualquer um sabe qual era a situação do Haiti antes da tragédia, ou seja, já era uma grande tragédia. A diferença é que a devastação anterior não foi feita pelas mãos da natureza. O país sempre foi extremamente pobre, sendo o mais pobre da América, 45,2% da população é analfabeta, a expectativa de vida é de apenas 60,9 anos. Sua renda per capita é extremamente baixa. Então porque a mobilização mundial apenas agora? Antes não se precisava de atenção?

Outro fato que me lembro bem da repercussão desnecessária foi a temida "gripe suína"(imfluenza A H1n1), que não passava de uma gripe comum com composição química diferente da tradicional. Mais uma vez digo que não estou sendo inconsciente quanto ao grau de risco do fato. Mas depois de algumas pequenas pesquisas percebi que os sintomas dessa tal doença mortal são os mesmos da gripe que estamos acostumados. Tanto que as recomendações médicas para os infectados são as mesmas, ou seja, repouso e ingerir bastante líquido. Qual doença terminal é curada com esse tipo de droga?

Na prevenção o estado gastou apenas com panfletos e rápidos conselhos por via de meios de comunicação. Nem metade do que se é gasto com a Dengue em um semestre.

Contudo, já se percebe como existe um exagero na tentativa de comoção. Mas porque?

É simples. Todos sabemos que a notícia é o que da lucro em um noticiário, senão não teria esse nome. Portanto, quanto mais ênfase derem a reportagem, mesmo que ela não tenha em si tanta importância, mais admiração terão de quem os assiste.

Não se importam com o que passam para frente, nem com a freqüência com que passam. O que poderia ser apenas uma informação passa a ser um filme com mocinhos, vilões, sobreviventes, mortos e heróis. Dando a impressão de que tudo não passa de uma ficção.

Uma pessoa morta por pneumonia no sul de Minas não teria nenhuma matéria editada em um jornal. Aliás, nem dez ou quinze pessoas mortas por pneumonia.

Já uma pessoa infectada pelo vírus H1N1 não terá apenas uma matéria como também será capa de um jornal e depois de curada facilmente será levada a programas de auditório pra explicar como foi tão difícil conviver com espirros e tosse, dor de garganta e febre. Como se a população não soubesse bem o que é isso.

O que faz parecer que o vírus é tão nocivo é o fato de que uma vítima do mesmo equivale à várias vítimas do outro vírus. Segundo a tabela de ibope dos tele-jornais.

A manipulação faz parte desses meios. Não desligue a TV como já fiz várias vezes, mas seja crítico à ela. Seja crítico à tudo. Inclusive à essa postagem.

2 comentários:

  1. Quaze nunca concordo com vc mas lendo essa materia q vc redigiu,tenho q dizer q concordo acho q a tv é muito sensacionalista quanto a fatos comus quando a tantas coisas para se preocupar as vezes ate com mais gravidade, porem nao da ibope por isso nem ligam.

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  2. Com certeza. Somos filhos da mídia, aquela que destroi nossos principios, e cria novos conceitos .. Se ontem achava que a gripe suina era uma gripe comum com nome diferente, hoje, ao me deparar com a midia, mudei meu conceito, ja acho a gripe suina um inferno, uma peste maligna, etc. É oque acontece nos dias de hoje.

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